Esses dias encontrei um velho amigo que já não via fazia algum tempo e na conversa ele naturalmente perguntou:

“E ai, só descendo a corredeira?”

Na voz não havia nenhum tom de ironia ou brincadeira que demonstrasse algum menosprezo, simplesmente ele sabia que eu estava trabalhando com rafting e como velho amigo fez aquela velha piadinha…

O fato é que a fala mexeu, como assim “só descendo a corredeira?”, então toda a correria se resume a só descer a corredeira?

Naquele momento muito me passou pela cabeça. Sou turismólogo por opção, turismo é minha paixão. Ao longo desses anos eu consigo enxergar a amplitude que essa atividade tem, porque acredito no poder de transformação que o desenvolvimento dela pode provocar em comunidades locais. 

Fizemos questão de manter uma sede em São Félix do Tocantins, dentro do Jalapão, onde nosso produto vem beneficiando a cadeia de turismo da cidade, aumentando o tempo de permanência e gasto médio do turista no município.

Utilizamos apenas mão de obra local, gerando renda e emprego para quem é de lá. Em nossos lanches oferecemos produtos regionais, para incentivar a produção associada ao turismo. Nossa intenção é usar o rafting como instrumento para transformar o turismo em um agente de desenvolvimento social e de valorização da cultura local. 

Então pense bem antes de pensar “só descendo a corredeira?” 

Mas no final eu percebi que tudo isso não passava de orgulho ferido e que qualquer atitude drástica seria a manifestação do ego. Então balancei a cabeça, dei aquele sorriso e cordialmente respondi para o velho amigo: “Só cabeça, só descendo corredeira!!!”